19 de agosto de 2011

Sinto que valho mais sozinha

Também é orgulho ser sozinha

Também é nobreza não ter nada!

Saudades? Sim, talvez e porque não?

Se o nosso sonho foi tão alto e forte

Que bem pensara vê-lo até à morte

Deslumbrar-me de luz o coração

Esquecer, p'ra quê?

Há como é vão…

Que tudo isso amor, não nos importe

Se ele deixou beleza que conforte

Deve-nos ser sagrado como pão

Quantas vezes amor já te esqueci

Para mais doidamente me lembrar de ti

E quem dera que fosse sempre assim

Quanto menos quisesse recordar, mais a saudade andasse presa a mim…

Florbela Espanca