Sinto que valho mais sozinha
Também é orgulho ser sozinha
Também é nobreza não ter nada!
Saudades? Sim, talvez e porque não?
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração
Esquecer, p'ra quê?
Há como é vão…
Que tudo isso amor, não nos importe
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão
Quantas vezes amor já te esqueci
Para mais doidamente me lembrar de ti
E quem dera que fosse sempre assim
Quanto menos quisesse recordar, mais a saudade andasse presa a mim…
Florbela Espanca
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